Book Four - Capítulo III  (BOOK FOUR "ANOS DE FARRA") escrito em terça 05 outubro 2010 09:48

A "italianinha" adorava viajar. De preferência de carro, apesar de achar o avião muito chique, tinha um certo receio. Só mesmo quando a viagem era muito longa ou não desse para aproveitar o fim-de-semana se fosse por terra.
As cidades mais próximas, num raio de 100, 150km, foram palcos "sem saber" de loucuras e situações por vezes complicadas. Nestes lugares eu representei - e que Deus me perdoe - o Papai Noel, o Fantasma, o Capitão Marvel, o Capitão América, ora o Mandrake, ora o Lotar, Napoleão Bonaparte, Imperador Dom Pedro, Zorro e até o Silver para ela cavalgar.

Fiz ainda papel de funcionário do hotel que vem trazer o jantar e a hospede está tomando banho, encanador que vem arrumar a pia mas a dona da casa não pode parar de lavar a louça, enquanto ele, deitado no chão fica vendo que a dona está sem calcinha, ai ela conta uma história que o marido está viajando pelo exterior já tem quase seis meses, que ela não sabe nem mais como é que é, essas coisas. O encanador não agüenta e parte pra cima da dona e . . .

Esta história era muito parecida com a do cara que vem arrumar o varal de roupa, a porta do armário que estragou ou qualquer outro serviço doméstico. Bastava pedir pra eu arrumar alguma coisa na casa dela, sentindo-se na obrigação de "incentivar" meus préstimos, armava logo uma encenação porno-erótica-sensual, ou sei lá como é que se pode chamar isso. O que acabava acontecendo era que, pela grande atuação que ela desempenhava, eu acabava me empolgando e o serviço ficava pela metade.
Mas ela não reclamava, na semana seguinte lá estava ela "chamando" de novo o "zelador" para fazer o inacabado e novamente era incentivado, agora sim, concluindo também o que havia iniciado.

Acho até que ela sentia um certo reconhecimento quando isso acontecia, sinal que sua interpretação era muito convincente. Só que isso foi tornando-se mais freqüente e perigoso, iniciando as brigas porque eu comecei a negar algumas encenações ou apenas mudar o script, coisa que ela não admitia.

O lugar para onde fui com minhas amigas estava hiper lotado, com gente na calçada. Porque lá dentro, mesmo na rua perto do bar improvisado, já não dava nem pra se mexer.
Diante daquela situação, fomos caminhando até uma pastelaria, que já tinha sido um drama estacionar, o que só consegui fazer na rua transversal.
A pastelaria também estava bem concorrida, mas como era todo ao ar livre, ocupando parte da antiga rua a beira mar, hoje um estacionamento ou lugar que os barzinhos colocam as mesas para seus fregueses; sempre deu pra ficar e até arranjar uma mesa só pra nós.
Pedimos cerveja e congnac, porque todo mundo tinha comido camarão e frios na tábua lá no bar onde estavamos, ficando sem aquela fome dos outros dias.

Quem estava lá e assim que me viu levantou-se e foi embora, imediatamente? A Sandra. E justamente com o carinha que eu usei como "motivo" para o fim do romance. Sinal que a minha atitude, mesmo atirando no que não vi, acabou acertando no que "fingi" ver. Fácil de entender.
- Como é que você vai comprar camarão amanhã, não é feriado? Perguntou minha amiga.
- Não querida, amanhã é segunda-feira, feriado só na terça. Respondi.
- Queridaaaa???! Que história é essa, retrucou demonstrando surpresa.
- Bem - meio sem jeito pelo furo - é que sou meio ruim de guardar nome, quando me apresentaram você pensei cá com meus botões: "que querida", e ai ficou.
- Não combina comigo não. Acho melhor você mudar isso ai. Disse entre um sorriso e um olhar penetrante, como se estivesse ordenando.
- Que tal "Polaca"? Perguntei olhando para as demais na esperança que elas aprovassem, me dando uma força.
Mas foi ela que, antes que ocorresse qualquer manifestação das amigas, informou aos presentes que era assim mesmo que a chamavam na Faculdade. Ela não achava original, mas aceitava bem o apelido, já que era mesmo descendente lá daqueles lados.

Lembrei-me então da minha viagem a Europa, um ano e meio antes, passando a narra-la, conseguindo unanime atenção. Só exclui minha companhia de viagem, que eu não podia entregar o ouro assim ou, no dia seguinte, teria que explicar muito mais que o necessário.

Eu havia resolvido que naquelas férias de julho não ia ficar passando frio no sul do país. Naquela oportunidade, entrei numa galeria e vi uma agência de viagem com as vitrines cheias de cartazes chamando para o verão europeu. Era abril, e o outono já apresentava uma prévia de como seria o inverno aquele ano. Entrei e fui atendido por uma graça de menina, muito gentil e atenciosa, parecendo conhecer pessoalmente todos os lugares que descrevia.
Apresentou-me um "pacote" que achei muito interessante, pois ia unir a fuga do frio com uma das minhas paixões mais recentes. A Fórmula Um.

O pacote era para ver as corridas em três países, vinte e sete dias de estadia com bastante tempo livre para conhecer outros lugares fora do roteiro proposto.
- Mas se eu quiser abandonar o grupo lá e seguir outros rumos, como faz?
- Basta você ir e voltar no vôo do grupo, que é "charter", lá pode andar onde quiser, só tem que programar antes porque precisa visto em alguns lugares, animou-me a menina simpática.

Naquela época a italianinha morava no meu coração de babydoll, daqueles bem curtinhos, e foi nela que eu pensei para levar comigo.
Fiz as reservas e ansioso esperei o fim de semana para contar a novidade, sabendo que em julho ela não teria nenhum compromisso, era época de férias na Faculdade.
Quando contei ela quase me sufocou, abraçando-me e beijando como reconhecimento por esta "prova de amor" que eu estava dando. Afinal, bancar uma viagem destas para a Europa era coisa que ela sabia não ser barato.

Uma coleguinha, que obviamente estava morta de inveja, ainda tentou minimizar dizendo que ela devia trocar a viagem por uma moto, sonho que ela alimentava mas que o pai jamais iria patrocinar. Dinheiro para estudar ela podia pedir quanto ele tivesse, mas pra "bobagem", que fosse trabalhar para possuir.

Imediatamente fui em seu socorro, para desespero da colega, na verdade uma prima que morava ali também, roendo as unhas em visível sinal de ódio.
- No próximo Natal a moto também vai aparecer.
Ela ficou tão excitada com tudo isso ao mesmo tempo, não sei se esqueceu que não estávamos sozinhos ou fez de propósito pra prima ficar escandalizada, imediatamente jogou-se contra mim e começou a despir-se, beijando-me freneticamente enquanto gritava adjetivos.
- Gostoso. Lindo. Amado. Tesão. Transando comigo no tapete da sala na presença estática da prima, que depois do susto, retirou-se xingando.
- Puta. Vadia. Vaca. Viado. Corno. Vai fazer isso na cara da tua mãe.

O embarque para a Europa foi precedido de grande excitação e planos mirabolantes. Durante os dois meses seguintes ao anuncio da viagem, a italianinha estudou mapas, leu artigos, comprou revistas especializadas em turismo e assistiu em vídeo qualquer filme ou documentário que mostrasse os países do velho continente.

Com uma colega de faculdade aprimorou seu italiano, língua materna que falava na infância, e com um outro aprendeu as frases clássicas do inglês. Estava pronta para a viagem.
Tinha feito um roteiro das cidades que mais lhe interessava conhecer, visitando quase diariamente as agências de viagem da cidade, reduzindo significativamente o tempo para estudar as matérias da faculdade, o que lhe custou um semestre de direito II.

A sacanagem começou já no avião, por volta das duas da madrugada, quando foi informada pela comissária de bordo que estávamos sobrevoando o Atlântico, anúncio este premeditadamente combinado. Sem que eu percebesse, pois já havia cochilado algumas vezes, ficou inteiramente nua sob a coberta e adestrando minha mão, fez com que ela percorresse todo o seu corpo, que estremecia a cada toque mais ousado. Segurando ruídos, colou sua boca na minha orelha e respirava ofegante, criando um clima de intensa excitação misturado com o receio de sermos flagrados pelos comissários ou um passageiro que se deslocasse para o toalete.

O vôo não estava lotado, muito pelo contrário, pois houve uma pane no avião que fora fretado, substituído por este, muito maior, o que acarretou inúmeros lugares vagos.
Ela conhecia o filme da Sylvia Cristel e não se conformou enquanto não conseguiu reproduzi-lo, com detalhes que eu nem havia guardado na minha fraca memória. Quando chegamos a Madri, ela dormia com um indisfarçavel sorriso nos lábios, misto de satisfação e realização.

Continua em breve, no Capítulo IV

 

permalink

BOOK FOUR - Capitulo II  (BOOK FOUR "ANOS DE FARRA") escrito em quinta 02 setembro 2010 18:39

Minhas companhias voltaram do banheiro e eu fiz questão de desculpar-me pela presença do Elói naquele local, apesar de não ter culpa daquele sujeito ser um imbecil. A que tinha ficado na mesa fez sinal com a cabeça para eu esquecer, puxando papo para retomar nosso entrosamento.

- Você vai ficar até quando aqui na Ilha?, perguntou.
- Até domingo que vem, vou enforcar o resto da semana, porque tenho uns dias em “haver”, fins de semana trabalhados, sabe como é?.
- Nós também. Quero ver se a Varig confirmou nossa volta. Onde é que fica a loja deles aqui?
- Na Praça Central, ali onde a gente esteve hoje, naquele calçadão que começa na Igreja, conseguiu localizar?
- Ah! Eu lembro de ter visto, até ia te falar mas aquela “bicha” apareceu e agarrou o Fernando, ai eu comecei a rir e não lembrei mais. Disse uma outra, informando à amiga e recordando nossa passagem entre os Blocos de Carnaval, momentos antes.

Uma garçonete que passava com uma travessa abarrotada de camarões, mudou o sentido da nossa conversa. Uma das moças praticamente ficou hipnotizada pelos crustáceos. Não restou-me outra alternativa. Chamei a garçonete e pedi uma porção de camarão a milaneza. 

- Dos grandes, tá querida?

- Hummm! O teu pretendente ai flerta até com a garçonete,  hem queridinha? Deixou escapar a companheira, sinal de que o papo sobre o protagonista estava rolando de algum tempo.

Olhei pra mesa da italianinha e vi que estava chegando alguém que eu conhecia, dos tempos que eu implicava com ela por causa de umas certas ausências durante a semana, quando eu ainda trabalhava em outra cidade e vinha prá cá religiosamente toda sexta-feira. Ligava e as companheiras diziam que tinha saído e não sabiam onde tinha ido, mas que eu não me preocupasse que ela estava com o fulano.

Era chegar umas horas antes e encontrar o cara lá, enfiado no apartamento delas. Certo que moravam mais duas com ela, inclusive uma outra lourinha, mais alta e com corpo mais, digamos, “apetitoso”, talvez? E era ela quem ficava com a “culpa” da presença do bonitão, apesar de ser divulgado que todos estudavam juntos na Federal.

Vendo que eu olhava, não se fez de rogada. Levantou-se e abraçou e beijou o rapaz, forçando que ele sentasse ao seu lado.
Voltei-me para minhas companhias e interrompi o que conversavam entre si.
- Desculpem. Mas o que vocês acham da gente ir pra boate agora, deve estar de arrebentar lá a esta hora, conferindo no relógio.
- Antes do camarão chegar, nem pensar!
Com isso tive que assistir outras tantas demonstrações explícitas de carinho da italianinha para com  meu afortunado substituto, antes que saíssemos para balançar o esqueleto noite adentro.

A italianinha era mesmo uma mulher que gostava não só do ato em si, mas talvez mais ainda de “fantasiar” cada momento, criando situações e histórias para temperar a relação sexual.
Uma vez tive que improvisar com lençóis, toalha e batom, uma roupa de Superman, que acabou literalmente enroscada no meu corpo, sendo necessário o uso de uma tesoura para me livrar dos panos.

Vez por outra, fazia eu parar o carro na Beira Mar, perto da ponte que liga a Ilha ao Continente, saltava junto as “mariposas” que lá faziam ponto na noite - hoje até mesmo durante o dia -  ordenando que eu desse a volta lá pela rua de cima e retornasse para “ganha-la” ali na avenida, não sem antes ameaçar que se parasse alguém mais interessante, que eu me consolasse com uma daquelas “moças”.
E ainda negociava o “preço” pra voltar pro carro.
- Só entro se for pra ir na Suite Nupcial do Motel das Pedras; onde ela adorava depois fingir ser “a noiva virgem na primeira noite de lua-de-mel”.

Chegava a pegar o telefone e fingir ligar pra “mãe”, dizendo que o “noivo” estava fazendo isso e aquilo, que ela estava gostando, que ele agora fez tal e qual situação. Só que do outro lado da linha tinha mesmo alguém, para cujo número ela ligava aleatoriamente. Quando calhava de pegar um solitário ser, ai mesmo que ela caprichava, deixando o coitado do outro lado sabe-se lá em que condições.
Foi a precursora dos atuais Disk Sexo, acredito. 

Depois que se cansou de brincar de Robin, sendo eu o Batman, partiu para fantasias ainda mais ousadas, como transar  nas praias, dentro de baleeiras estacionadas na areia, na beira do mar, com parte do corpo dentro d’água ou mesmo nas pedras e sobre o capô do carro em noites quentes e chuvosas.  Eu era então o “pescador”, tendo que passar areia nas mãos para ficar com elas ásperas, “Netuno”, saindo do mar com aquele seu “garfo” na mão ou um cruel e sanguinário “pirata” que raptava a mocinha para dentro do seu barco.

A única coisa que eu não quis nem tentar, depois de várias insistências, foi o caso da “sereia”. Sem tirar a calça jeans que servia de “pele escamosa”, ficava  perigoso fazer aquelas coisas pelo “zíper”. Mas que esperança, construiu ela mesma a tal “pele escamosa” com rabo e tudo, acho que com laminado de espuma, realizando assim sua fantasia na beira de uma pedra, lá no mesmo lugar da história original. Contei isso num dos primeiros capítulos, lembra?

permalink

BOOK FOUR - Capítulo I  (BOOK FOUR "ANOS DE FARRA") escrito em segunda 28 junho 2010 10:25

Existia um bar, que sobrevive até hoje, onde eu literalmente "marcava ponto": ia todos os dias!
Este local foi transformado a partir de uma “venda”, como costumávamos chamar os estabelecimentos de “secos e molhados” mais antigamente, preservando o nome que tornou este bar famoso na cidade até hoje.
A venda ficava bem na esquina e ao lado, ainda no mesmo imóvel, havia um salão de beleza onde nos fundos, maior parte da área, residia uma família que conheci muito bem. A filha da cabeleireira e proprietária do salão tinha sido a minha primeira namorada assim mais sério.
Foi a primeira que eu namorei em casa, no sofá, com toda a família junto vendo televisão. Quando queríamos mais “intimidade” então íamos para o clube social ali mesmo no bairro, dançar e namorar na varanda do andar superior. O namoro acabou porque ela era apaixonada, mesmo, por um ex-namorado ou noivo, com quem mais tarde acabou casando.

Quando conhecia alguém novo por lá, contava essa versão para as pessoas, indicando onde ficava cada peça da casa que freqüentei as quartas, sextas, sábados e domingos, dias que eram destinados à prática do amor, com hora de chegar e sair, porque o último ônibus saia pro centro as onze e meia. Se perdesse, tinha que ir a pé, ou com muita sorte pegar uma carona, coisa rara de acontecer. Raro pegar carona, porque perder o ônibus era quase uma rotina, principalmente aos sábados.

Certa noite eu cheguei com umas amigas e esolhi uma mesa próxima da porta, que era para não sentir muito calor. A noite estava fresquinha, mas lá dentro, completamente lotado depois de alguns minutos, fumaça de cigarro e sei lá mais o que, deixava o ambiente envolto numa névoa seca e muito quente.
Dei uma olhada pelas outras mesas e quase cai pra trás. Olhando-me com ar de reprovação e um certo ódio, a italianinha parecia querer  me comer  vivo.

Eu tinha conhecido a italianinha de uma forma bem interessante também. Foi em um outro carnaval, anos antes do relato até aqui, na terça-feira gorda, para ser mais exato. Estava numa boate que promovia uma espécie de baile de carnaval, misturado com danceteria, alternando entre um e outro conforme a animação da moçada ou pedidos insistentes de alguém que o DJ acreditou estar agradando.

Eu havia chegado naquele dia na cidade, vindo do desfile da Mocidade Independente de Padre Miguel, onde fui convencido a sair naquele Carnaval por amigos gaúchos que queriam fazer suas estréias na avenida. E a Mocidade estava com um “pacote” para este tipo de folião que ficava bem mais em conta do que em outras escolas. Era um forte candidato à campeão do carnaval carioca e havia sido insistentemente focado pelas camêras do Plim-Plim. Não que eu fosse um sambista para ter transmitido, via satélite,  para todo o Brasil, meus passos carnavalescos. Mas é que na minha ala uma mulata endiabrada, que estava bem ao meu lado, retirou a parte de cima da fantasia, deixando a mostra um par de seios mais espetaculares do que o Pão de Açúcar e o Corcovado juntos. A televisão mostrava e dava “replay”, como pude constatar no dia seguinte no “compacto” exibido para os que não agüentam varar madrugada a dentro assistindo o desfile.

Quando cheguei no aeroporto fui imediatamente reconhecido pela moça do “nosso pessoal em terra” da Varig, por um outro passageiro que quis saber se eu tinha ido com a mulata e recebido com festa pelo meu primo Bernardo, que foi mais feliz do que nunca recepcionar-me no Aeroporto, como fazia sempre que eu trazia o carro para ficar a temporada motorizado, que o Degas aqui não era trouxa de tentar ganhar “maria gasolina” à pé.

Na boate algumas pessoas olhavam como reconhecendo o “papagaio de pirata” da mulata, mas foi uma carioca que efetivamente reconheceu e puxou conversa, aproximando-se do meu ouvido para concorrer com o som muito alto que rolava um samba enredo da Portela.
- Você  não exxxtava com aqueeela mulata  pelaaada no dexxxfile da Mociidadhiii?
- Você marcou hora com o meu empresário? Disse também próximo do ouvido dela, pegando-a pelo braço.
Ela entendeu a gozação e explodiu em um riso escandaloso, que pude ouvir  mesmo já não estando tão próximo.
- Vamoxxx sambarrr?
- Você vai tirar o “bustiê”?
Negando com a cabeça, ela pegou na minha mão e arrastou-me para o centro da pista, onde sambamos entre olhares e sorrisos, cada um querendo mostrar para o outro o que sabia fazer com os pés e o quadril.
Lá pelo terceiro ou quarto samba, o DJ mudou radicalmente e atacou de frevo, fazendo com que minha parceira pegasse minha mão, novamente, e levou-me assim, só largando quando chegamos ao bar.
- Vamos beberrrr uma cerrrvexxjinha?
- Você é carioca, não é? Perguntei.
- Você também nééé?
 - Não. Sou cidadão do mundo! Respondi arrogante.
- Merrrmôoo?

Ficamos ali o resto da noite, conversando e perguntando e respondendo sobre nós, bebendo cerveja e as vezes cantando trechos, juntos, das músicas que dava pra ouvir dali.
Depois de umas duas horas, apareceu um grupo de cinco moças, entregando a bolsa dela e dizendo que iriam embora.
- Tu vais ficar? Perguntou uma lourinha que era a cara da Adriana Esteves, que recém iniciava nas novelas da TV.
- Você me leva? Perguntou-me a carioca.
- Claro, claro. Deixa ela comigo que eu levo. Falei pra lourinha que recomendou pra ela se cuidar, olhando-me de cima em baixo como querendo certificar-se de que eu cumpriria minha promessa.

A lourinha era a italianinha. Eu a conheceria muito bem dali ha uns três meses adiante.
Eu já estava morando em Porto Alegre, tendo ido ao Rio de Janeiro apenas para o desfile. Voltei pra Ilha porque depois do Carnaval começaria minhas férias e eu queria ficar aqui os primeiros quinze dias. Depois iria pra Maceió, onde umas amigas gaúchas estariam esperando para um pequeno circuito pelo Nordeste, meu velho conhecido. Ia servir de cicerone, motorista e num caso específico, um pouco mais que amigo de uma delas.

A carioca pegou no meu pé depois daquela noite, quando cai na besteira de ir dormir no seu apartamento de estudante que dividia provisoriamente com a italianinha.
Ela era uma garota legal mas não era assim nenhuma princesa, além disso era exagerada, superfaturava tudo, transformando-me no melhor amante que ela jamais tinha tido. Como fez este alarde pra lourinha, se deu mal. Logo pra quem ela foi contar de como estava sendo satisfeita no colchão de casal jogado no chão do minúsculo apartamento.
É claro que havia mais fantasia do que verdade nesta história.

- Fala ai, Fernando “Modesto”. Quase todo o bar ouviu esta saudação e o tapa nas costas que Elói, que se considerava um grande amigo meu, desferiu-me assustando minhas amigas. Acho que pensaram que aquilo era briga, tamanha foi a porrada que eu devolvi no peito dele.
- Gurias, este cara só anda com mulher bonita assim feito vocês. Depois a gente pergunta e ele diz que não come ninguém.
- Quem convidou? Perguntou sarcástica uma das minhas amigas.
- Ele já contou pra vocês que comeu aquela atriz da Globo, como é mesmo o nome . . .  Vocês sabem, aquela que tá fazendo a novela das sete agora.  Ééé! Comeu que eu sei. Lá em Cabo Frio. Passou o final de semana com ela lá. E foi ela que foi atrás dele lá. Pagou a conta e tudo. E tem mais, a mulher era casada na época. Diz que a Globo vai usar os chifres do marido como antena lá no Jardim Botânico. Foi o primo dele que me contou. Ele estava sem carro pra ir pra Cabo Frio e pegou o carro dele emprestado. O primo dele disse que teve que lavar o carro, depois, porque tinha . . .
- Porra Elói, que conversa na contramão é essa ? Se não sabe beber larga dessa vida cara. Vai, vai, vai, fica lá na tua mesa que nós não estamos afim de ouvir mentira aqui. Vai que eu pago duas doses pra você. Mas vai agora, sem dizer mais nada.
Ele saiu cambaleando e soluçando uma mágoa daquelas comigo, afinal, certamente pensou, eu estava com quatro e nem apresentei uma pra ele.
Minha sorte é que pelo menos duas amigas tinham ido no banheiro logo que o “bebum” chegou, reduzindo minha vergonha diante daquele maluco.

A italianinha escondeu-se atrás de uma colega na sua mesa, aterrorizada com a presença do Elói, que ela teve o desprazer de conhecer. Certamente pensou que ele era bem capaz de , apontando pra ela, dizer que “aquela alí ele comeu também”. Só então percebi que as mesas ao redor tinham ouvido aquela história e quis desaparecer dali o mais rápido possível, sendo convencido a permanecer pelas amigas que estavam adorando o lugar.
Olhei outra vez para a italianinha, com cara de quem foi pego com as calças na mão, tentando desculpar-me por não ter retornado a ligação e ter um amigo tão inconveniente, mas para ela o primeiro pecado era ainda maior. Fechou a cara e desviou o olhar, o que entendi como um sinal de que jamais seria perdoado.

Minha aventura com a italianinha começou com a carioca descobrindo que sua amiga tinha saído comigo num sábado a tarde e quando cheguei no seu apartamento, a noite, fui recebido a paneladas, chicaras, copos, cinzeiros e outros objetos não identificados que voaram em minha direção.
- Você é um promixxxcuo, cara!  Fora daqui!
Ela já sabia de tudo através de uma companheira de apartamento da italianinha, a qual tratou de acolher em sua própria moradia, pois temia que a carioca cobrasse a traição com unhadas e puxões de cabelo ou algo assim.

Começou assim: A italianinha havia ligado falando que a carioca estava lá na casa dela e queria que eu fosse  buscá-la. Quando cheguei ela veio com uma conversa que a carioca estava com uns problemas, que ela queria contar comigo pra ajudar a amiga. Sugeriu que fossemos até um lugar meio deserto defronte ao mar, cujas pedras são de uma beleza impar, sendo muito procurada por jovens namorados que lá assistem “corrida de submarino”, principalmente do final da tarde em diante.
Chegando neste local convidativo para um romance, foi dizendo que não era nada disso, que ela estava era afim de mim, que tinha me achado isso e aquilo, que eu era um cara do jeito que ela sonhou e todo este papo de aranha que a gente é que, normalmente, aplica nas garotas.
Eu que não sou assim tão bobo quanto aparento, parti logo pro crime e tasquei um beijo de desentupir pia naquela boquinha doce.
Eu não sei se sufocada ou acometida de violenta emoção, a lourinha foi-se desvencilhando da roupa com uma rapidez de fazer inveja ao Bolt e, em menos de 9 segundos já estava só de calcinha e sandália, arrastando-me para o assento traseiro do carro com um salto por sobre o apóia-cabeça, onde deixou apoiada uma das pernas.
 
Um toró que caia naquele instante embaçou os vidros como uma cortina, não permitindo a visão de mais nada lá fora. Confesso que o que se passou naquele carro chegou a preocupar-me quanto a minha integridade física, pois parecia que haviam mais onze italianinhas escondidas no porta-malas, revezando-se continuamente. Nunca comentei esta ocorrência com nenhum amigo, mesmo os mais chegados, pois temia ficar desacreditado apesar de minha fama de modesto e discreto casanova. Mas já que comecei não é justo deixar de  lembrar que, quando chegamos no prédio, convidando-me para subir e tomar uma cervejinha, coisa que sabia eu não recusaria, parou o elevador no andar anterior ao seu e quis transar nas escadas, local onde sentia um prazer especial pelo “medo” de ser surpreendida por alguém.
E mais, durante o trajeto da praia até onde residia, “executou” a Nona Sinfonia  com fôlego insuperável e destreza no manejo da flauta,  causando um reboliço no ônibus que nos ultrapassou.

permalink

Book Three - Capítulo Único  (BOOK THREE "RESUMINDO 10 ANOS") escrito em segunda 28 junho 2010 09:56

Na quarta-feira de cinzas, finalmente, o primeiro beijo.

Depois disso, namoramos, casamos e vivemos juntos por 10 anos. Tivemos dois filhos. Um casal!

Descobrir que a pessoa com quem você vive por 10 anos não é o amor da sua vida é um golpe. Você passa a não acreditar em mais nada, acha que o mundo está contra, tudo tende a dar errado. Você se afasta das pessoas, as pessoas se afastam de você - já que você virá "o chato".

Então, toda essa história ficou reduzida a uma lembrança que só está vinculada ao fato de você ter tido filhos com aquela pessoa. Eu não consigo nem lembrar da cara da "princesa"; hoje ela é uma pessoa que eu não sei quem é, quem foi ou quem será no futuro.

Por isso, a partir do Book FOUR, vocês saberão mais sobre minha vida "passada", antes do período que iniciei o relato até aqui. É que deste tempo, eu lembro perfeitamente . . .

permalink

Book II - Capítulo IV - Sonhando Acordado  (BOOK TWO " O ROMANCE") escrito em terça 04 maio 2010 13:33

Continuação Book II - Capítulo III

O pessoal estava todo reunido na praia, em frente um velho rancho de canoa transformado em bar, e para minha surpresa Papito estava lá também, descumprindo seu ritual daquele horário.
- Estamos aqui te esperando, estão dizendo que hoje quem paga o almoço és tu.
A  turma já tá com fome, como é, vai abrir essa mão ou não? Nem no teu aniversário, ôoo!.
Senti a cobrança. No fim de semana anterior tinha conseguido escapar porque só iria aniversariar na terça-feira seguinte, portanto, festa antecipada não. Mas agora já tinha passado o dia e a moçada estava lá me esperando sem que ninguém tivesse providenciado almoço para aquela galera.

Acuado, calculei o público presente e comparei mentalmente com o da semana passada, era menor hoje, afinal o tempo não estava assim nenhuma maravilha. O sol ia e vinha, as vezes uma nuvem mais carregada deixava cair uns pingos, as vezes mantinha-se aquele “mormaço”.
Topei a parada. Antes porem dei um mergulho recondicionante nas águas mornas daquela praia que frequentava desde cirança.
Fomos quase todos para o Bar do Tainha, localizado num dos recantos mais apreciáveis do litoral noroeste da Ilha.

O lugar é um conjunto de pequenas praias, delimitadas por pedras grandes que as isolam uma das outras, permitindo a passagem entre elas com alguma facilidade. O "Tainha" era um pescador que transformou seu rancho de canoa e lugar de guardar tralhas de pescaria em restaurante de praia. Sinal de que a pesca na região já começava a não dar mais para viver. Tinha sei lá quantos filhos, e mesmo agora, depois de quase dez anos, sempre acabo conhecendo mais um filho do Tainha. Atualmente já são dois restaurantes, um do lado do outro. Os dois, claro, de filhos do Tainha.

A especialidade da casa é o pastel de camarão, mas o risoto também é muito apreciado. Atualmente o cardápio esta ainda mais incrementado com o marisco e o peixe assado na brasa comandando as preferências do frequentadores.  A galera começou a fazer os pedidos, esfomeados que estavam, e a cerveja veio novamente ocupar seu lugar de destaque nas mentes já semi-alcoolizadas de todos eles. Dizia-se bobagem a torto e a direito, contava-se histórias ou comentava-se gafes de integrantes do grupo, tudo seguido de estrondosas gargalhadas.
Eu gostava daquela situação, era isso que me fazia voltar sempre aqui.
Saímos de lá por volta das seis horas, acho eu. Mas não paguei toda a conta como estava planejado. Papito e seu irmão dividiram comigo a despesa, assim como um presente de aniversário.

Dormi pelo menos umas três horas na casa da praia, saindo apressado para encontrar as paulistas. Eu já estava com saudades dela, afinal não tinha passado tanto tempo sem vê-la desde o nosso encontro. Passei na casa do centro para tomar banho e colocar uma roupa mais apropriada para a noite, naquele momento estava mais fresquinho que em noites anteriores.  Pensei que seria bom se a costureira já tivesse resolvido o problema da filha e aprontasse minha calça.

Procurei identificar o vento, era um nordeste fraco e gostoso, resolvi então que as levaria para o Sul. Na semana anterior tinha conhecido um novo barzinho construido quase todo sobre um trapiche, o que tornava o local muito romântico sob a luz do luar. Cheguei no apartamento, finalmente o interfone atendeu, sendo convidado para subir. Elas tinham feito um programa de índio, mas eu não as censurei, pelo contrário. Tomaram um ônibus e foram passar o dia num Balneário fora da cidade.
No meu entendimento, este balneário é uma mini Copacabana ou Praia Grande, na baixada santista, não faz minha cabeça. Tem gente que adora, principalmente a vida noturna, muito intensa e cheia de atrações.

Acredito que a maioria dos freqüentadores são dos estados vizinhos e nossos conterrâneos do Oeste, voltados mais para o agro-negócio. Numa cidade de população fixa por volta de 50 mil habitantes que se transforma em 500 mil na temporada; dá pra imaginar o que acontece.
Elas não gostaram, afinal para quem freqüenta a baixada santista, este balneário não apresenta grandes novidades. Mas tem lá seus encantos, eu é que estou sendo bairrista.

Sem perda de tempo, rumamos para o sul da Ilha, fincando ponto no tal barzinho.
Era uma casa na beira da baia, adaptada para servir de bar, com um trapiche gracioso e adornado por postes de iluminação, o que lhe conferia uma atmosfera acolhedora e romântica. Escolhemos a última mesa no final do trapiche, a mais dentro do mar.
As mesas foram colocadas em fila indiana, do lado esquerdo, com o lado direito livre para servir de passagem e circulação dos garçons.  Foi uma noite inesquecível. Rimos tanto que quase caimos do trapiche em certa ocasião, levantando-nos das cadeiras para extravasar o riso.

Uma das amigas contou sua história de solteira incorrigível, abraçada num pinheiro na chácara do amigo, jornalista e militante esquerdista, além de casadouro constante, Jorginho Barbichon.
A árvore, coitada, serviu de interlocutora muda para a jovem desconsolada, e já meio alta, descarregar seus percalços no campo sentimental. “Nhô Pinheiro” foi como ela passou a chamar seu surdo ouvinte, teve que agüentar todas as suas reclamações e impropérios dirigidos a antigos namorados ou os ex-quase que não entenderam a paixão da moça. Ela deu um show de humor naquela noite.
Nós chorávamos de rir, mas eu não deixei de ficar atento também a princesa, que estava especialmente linda nesta oportunidade.

Nesta noite eu tomei um susto, pois achei que aquele interesse que ela vinha demonstrando havia subitamente arrefecido. Tentei fazer com que ela sentasse ao meu lado no carro, não consegui. Depois, no bar, procurei ficar junto dela, sem sucesso. Foi então que notei, ou mesmo tive certeza, de que uma das amigas, aquela que sempre acabava ficando ao meu lado, é que estava a fim de conquistar o escritor aqui. Pensei então que isto já tivesse sido motivo de alguma reunião no apartamento, com diálogos do tipo:
- Se ninguém estiver a fim dele eu estou, diria ela
- Eu não estou, diria alguém.
- Eu até achei ele interessante, mas acho que ele já fez sua escolha, diria aquela que imaginei estar me ajudando.
A princesa, na minha imaginação, deve ter ficado silenciosa, analisando a situação e fugindo da conversa trancando-se no banheiro para não criar constrangimento para a amiga.
Minhas suspeitas se confirmaram quando a moça puxou um papo meio do tipo “vamos conversar sobre você”.

Sai pela direita mais rápido do que o famoso personagem Leão da Montanha, nos desenhos animados da televisão. Daquela vez elas não conseguiram ir ao banheiro em comitiva sozinhas, eu também fui. Afinal a moça já havia até se recusado em acompanhar o grupo e eu não ia ficar ali sozinho para encarar aquele papo sem a proteção de todas elas. Fiquei no balcão do bar, meio escondido, aguardando a volta das outras para retomar meu lugar a mesa.

Descaradamente, tirei minha cadeira do lugar e coloquei junto a da princesa, fingindo uma explicação sobre a história do lugar. Meu braço agora estava apoiado nas costas da cadeira dela, quem olhasse de longe ia jurar que eu a estava abraçando. Vez por outra minha mão tocava seu braço e eu a deixava ali, sentindo a pele dela na ponta dos dedos.
Por sua vez, quando ela explodia em gargalhadas de alguma história que continuava a rolar, batia com a palma da mão na minha perna e algumas vezes teve que se segurar nelas para não cair no mar. Nossos olhares se encontraram várias vezes, insinuando uma tomada de decisão que não aconteceu.

Continua no Book III

permalink
|

Abrir a barra
Fechar a barra

Precisa estar conectado para enviar uma mensagem para se7e

Precisa estar conectado para adicionar se7e para os seus amigos

 
Criar um blog